A galheta, uma espécie de corvo-marinho que podemos observar ao longo de todo o ano na nossa costa continental, é a ave escolhida pela SPEA como símbolo da campanha Ave do ano 2017.

© Tony Smith

Com esta campanha a Sociedade Portuguesa para o Estudo da Aves (SPEA) quer dar a conhecer esta ave marinha, facilmente identificada pela sua plumagem escura com reflexos esverdeados, os seus olhos verde-esmeralda, e o seu pescoço e bico compridos. O seu nome peculiar está provavelmente relacionado com o seu pescoço longo e curvado, assemelhando-se a um galheteiro.

A principal colónia reprodutora de galheta em Portugal localiza-se no arquipélago das Berlengas, com uma população estimada em 75 casais, apresentando um ligeiro decréscimo a curto e longo prazo (dados de 2015).

Durante o período de reprodução, que decorre de janeiro a julho, os adultos em plumagem nupcial exibem uma pequena crista junto à testa. Já os juvenis são de cor castanha, com o peito, barriga, pescoço e garganta de cor clara uniforme.

No Continente, também nidifica pontualmente ao longo da costa rochosa a sul do cabo Carvoeiro, onde constrói o ninho em plataformas, fendas ou grutas geralmente abrigadas. Classificada como Vulnerável pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, pouco se sabe acerca do tamanho da população nacional atual, dado que o último censo data de 2002, altura em que foram estimados 100 a 150 casais reprodutores.

Entre fevereiro e abril são postos os ovos, entre 1 e 6, e a incubação é levada a cabo por ambos os progenitores durante cerca de 33 dias. Ao fim de 2 meses, os juvenis começam a abandonar os ninhos, ficando ainda dependentes dos pais e juntando-se em pequenos grupos no mar, não muito longe dos seus ninhos.

A galheta é uma exímia pescadora, localiza os peixes enquanto nada à superfície, capturando-os em mergulhos que podem durar mais de 3 minutos e que vão até algumas dezenas de metros de profundidade.

As suas penas são permeáveis à água, ficando as aves molhadas até à pele após os mergulhos de pesca. Por isso, para se aquecerem e secarem, é comum vê-las ao sol, de asas abertas durante longos períodos de tempo. Um dos locais tradicionais para esta prática é a Nau dos Corvos no cabo Carvoeiro (em Peniche), onde também repousam, chegando a concentrar-se ali às dezenas.

Devido aos seus hábitos no mar, a galheta é vulnerável a algumas artes de pesca, nomeadamente a redes de emalhar. Não sendo conhecidos os principais locais utilizados pela espécie para se alimentar, a equipa do projeto Life Berlengas, coordenado pela SPEA, está a marcar alguns indivíduos com dispositivos de geolocalização que transmitem os dados através da rede móvel. Desta forma será possível acompanhar em tempo real a localização das galhetas que se reproduzem nas Berlengas, com o objetivo de identificar as áreas vitais da espécie e potenciais interações com embarcações de pesca.

Se esta espécie despertou a sua curiosidade, saiba que pode já acompanhar o dia-a-dia de um casal de galhetas e da sua prol, em direto da ilha da Berlenga, através de uma câmara online instalada perto de um dos ninhos existentes.

Esta vai ser uma excelente oportunidade para o público se familiarizar com esta ave tão carismática e torná-la mais conhecida. Esperamos acompanhar todo o seu ciclo reprodutor, desde a incubação à saída do ninho dos juvenis, e esperamos que sejam vários os momentos entusiasmantes para o público” diz Joana Andrade, coordenadora do projeto Life Berlengas. Fonte: SPEA

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