A Parques de Sintra inaugura no próximo dia 29 de outubro, às 19h00, nos Aposentos de D. Manuel II, no Palácio Nacional da Pena, a exposição “Fernando Coburgo fecit: a atividade artística do rei-consorte”. A mostra assinala o bicentenário do nascimento de D. Fernando II, criador do Parque e Palácio da Pena, e é dedicada à obra artística do monarca.

Créditos: PMSL / João Krull

A exposição tem a curadoria de Hugo Xavier, conservador do Palácio, e revela um numeroso conjunto, nunca exposto, de desenhos, gravuras e documentos manuscritos adquiridos em 2012 pela Parques de Sintra, e outros objetos entretanto incorporados, com destaque para uma moldura com pratos em cerâmica pintados pelo rei. “A exposição que agora se apresenta ao público permite revelar um acervo recentemente adquirido do legado artístico do rei e que se insere num investimento mais vasto de aquisições de objetos históricos destinadas a enriquecer as coleções daquele monumento”, destaca o presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra, Manuel Baptista.

A mostra conta ainda com algumas doações efetuadas por descendentes da Condessa d’Edla, segunda mulher do monarca, e com peças cedidas por particulares e instituições, como o Museu Nacional de Arte Antiga, Palácio Nacional da Ajuda, Museu-Biblioteca da Casa de Bragança e, dentro do universo da PSML, o Palácio Nacional de Queluz.

Créditos: PSML / João Krull

O rei-artista

Homem culto, elegante, melómano, grande colecionador e mecenas das artes, D. Fernando II, rei-consorte de Portugal pelo seu casamento com D. Maria II, ficou conhecido pelo cognome de “rei-artista”. Hábil desenhador, gostava acima de tudo de experimentar, destacando-se essencialmente na área da gravura, numa primeira fase, e na pintura sobre cerâmica, numa fase mais tardia.

Vários foram os temas desenhados e gravados pelo rei, da vida familiar com os filhos, a cenas do meio social que frequentava. Dedicou também atenção ao reino animal, onde revela a sua predileção por cavalos, passando pelos costumes, mitos e heróis, representando tradições populares portuguesas, figuras associadas a mitos heroicos húngaros e personagens históricas.

A atividade artística do monarca, que assinava as suas peças com o característico monograma/assinatura F e C sobrepostos (Fernando Coburgo) seguidos do f. de fecit (do latim fez), manteve-se uma constante até ao ano da sua morte, ocorrida em 1885, aos 69 anos de idade.

Aposentos de D. Manuel II reintegrados no circuito de visita

A exposição “Fernando Coburgo fecit: a atividade artística do rei-consorte” apresenta-se nos antigos aposentos de D. Manuel II, situados no piso nobre do Torreão do Palácio Nacional da Pena, recentemente restaurados. Em 2010, estes compartimentos foram encerrados, não só devido à contínua degradação originada pelo clima, mas também para servirem de apoio ao grande restauro do Salão Nobre, que decorreu de 2011 a 2013.

Em 2016, os aposentos foram alvo de intervenção. Foram recuperados os estuques dos tetos, assim como as paredes, janelas e pavimentos. Foi dada particular atenção aos vestígios de cor que ainda se puderam encontrar nas paredes, assim como portas e ombreiras. Serão estas cores que se utilizarão, de resto, na musealização permanente das salas.

Terminada a exposição, estes compartimentos serão musealizados e reintegrados na lógica discursiva do Palácio. “Deste modo, o interregno causado pela exposição terá um desenlace muito positivo no contexto deste grande investimento de investigação, restauro e re-musealização que a PSML tem vindo a fazer no Palácio Nacional da Pena”, destaca o diretor do Palácio, António Nunes Pereira.

A mostra vai estar patente até 30 de abril de 2017.

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