Em 2017, vários casais de abutre-preto voltaram a nidificar no Alentejo, usufruindo dos ninhos artificiais instalados pelo projeto LIFE “Habitat Lince Abutre” na Herdade da Contenda, concelho de Moura. Tal como nos dois últimos anos, um desses casais criou com sucesso uma cria de abutre-preto, dando assim continuidade ao restabelecimento de um núcleo reprodutor desta ave no Sul de Portugal.

Cria de abutre-preto após a sua anilhagem no ninho, na Herdade da Contenda. © C.Pacheco

A monitorização efetuada pela Liga para a Protecção Natureza (LPN) em colaboração com a Herdade da Contenda, Empresa Municipal (E. M.) confirmou este ano a existência de três a quatro casais nidificantes de abutre-preto nesta herdade, no concelho de Moura, um dos quais num ninho natural construído pela espécie. Dois destes casais fizerem postura de um ovo (como é característico da espécie), dos quais nasceram duas crias de abutre-preto. Uma delas sobreviveu apenas alguns dias, mas a outra encontra-se já quase três meses de idade e em perfeitas condições físicas.

Desde que em 2015 a espécie voltou a reproduzir-se no Alentejo, após mais de 40 anos sem registo de reprodução a sul do rio Tejo, este é o terceiro ano consecutivo que o abutre-preto cria com sucesso na região. Este é um resultado que vem reforçar o restabelecimento de um núcleo reprodutor desta ave no Alentejo, tendo sido possível, sobretudo, em consequência das medidas implementadas no âmbito do projeto LIFE “Habitat Lince Abutre”, coordenado pela LPN, assim como da indispensável colaboração da Herdade da Contenda, E. M. e da sua adequada gestão desta propriedade.

De salientar ainda que, recentemente e na presença do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, esta nova cria de abutre-preto foi marcada com uma anilha PVC vermelha com código em branco (7M), o que permitirá continuar a identificá-la quando deixar o ninho. Uma análise genética entretanto efetuada permitiu confirmar tratar-se de uma fêmea. Esta jovem cria deverá ainda manter-se no ninho durante as próximas semanas, até que adquira a capacidade de voar.

Os abutres são extremamente importantes para manter a sanidade dos ecossistemas, estando no entanto ameaçados de extinção em Portugal e sujeitos a diversas ameaças à sua sobrevivência, a maioria de origem humana, de onde se destacam o envenenamento ilegal e a escassez de alimento. Também a utilização do diclofenac (um anti-inflamatório não esteroide) para o tratamento do gado representa um enorme risco para estas aves necrófagas no nosso país, especialmente agora que o Estado Português está a avaliar a autorização do seu uso na pecuária. Recorde-se que a ingestão de animais tratados com diclofenac provoca insuficiência renal aguda nestas aves, culminando na sua morte num curto espaço de tempo, tendo este medicamento veterinário sido responsável pelo dramático e abrupto declínio dos abutres no subcontinente indiano, o que levou a que tenha sido banido nessa região.

Se detetar algum dos abutres-pretos nascidos no Alentejo (anilhas 7E, 7K e 7M), por favor não hesite em contactar a LPN!

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